Viagens na Fronteira

Viagem pelos museus da Raia.

Saímos de Lisboa ao raiar da manhã em direção a Norte. Passada a lezíria ribatejana, infletimos para leste, ao longo do curso do Tejo. A medida que as suas margens se estreitavam e as arribas aumentavam, o pinhal tomava conta da paisagem. Á direito o Tejo encaixado nos vales de xisto. Terras enxutas onde medram eucaliptos e escasseiam as gentes.

Primeira paragem em Castelo Branco. A praça da cidade, reabilitada pelos programas Polis. Percorremos o centro a pé. Olhamos para os novos equipamentos que surgem.

A biblioteca, um Centro de Informática, Cafés e esplanadas. Uma casa da música em construção. Seguimos pela antiga via de contorno do recinto medieval em direção á igreja matriz. Panos de muralha encontram-se a descoberto. No final da rua surge a residência episcopal onde está instado o museu Manuel Gonçalves Proença Júnior.

O palácio setecentista, amplo no janelame, com jardins ao gosto da época. Nas antigas hortas estão agora instalados equipamentos para jovens e crianças. Parque infantil em vez de rosas. Já dentro do museu fomos recebidos pela Diretora AR. Um percurso de luxo onde passamos pelas suas várias secções. Começamos pela arqueológica. A coleção recolhida pelo jovem arqueólogo que deu o nome ao museu, recolhida no princípio do século e reabilitada nos projetos do IPPAR, Instalado no piso térreo olhamos para dentro de vitrinas onde víamos pontas de seta e facas do paleolítico, pedaços de ferro e bronze da idade dos metais, conjuntamente com estelas e colunas. Tudo harmoniosamente distribuído pelo espaço.

De seguida subimos ao primeiro piso. No consulado de Catarina Vaz Pinto o museu passou a ter um novo conceito dedicado à tapeçaria. Depois duma galeria dedicada aos bispos de Castelo Branco, uma diocese criada no século XVIII aquando da elevação da vila a cidade e extinta cento e dez anos (1771-1881), surgem as tapeçarias encaixadas em grandes módulos que convidam à descrição.

Enquanto de preparava uma exposição de arte sacra para o período da Páscoa, com base num conjunto de obras locais. De saída ainda apanhamos o grupo de bordadeiras que trabalham no espaço do museu resgatando o bordado tradicional de castelo Branco. Bordados a seda, com cores garridas e motivos orientais, refletem heranças de outras viagens

No final um almoço de cozido à portuguesa num restaurante local. O vinho do Fundão, tinto carregado a regar as carnes generosas. Conversas soltas sobre museologia. Os trabalhos com as comunidades ciganas foram pontuais com algumas reclusas do estabelecimento prisional Um museu que tem vindo a procurar incluir a comunidade e o território na planície albicastrense.

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