Foz Côa e o Compromisso Museológico

O nosso bom amigo Pedro Cardoso Pereira, sempre atento à realidade nacional , apresentou aqui hoje uma quadro comparativo sobre dois casos patrimoniais: Foz Côa, que anda nas bocas do mundo, porque dois energúmenos em passeata radical deixaram uma marca adolescente nas figurar pré-históricas, iludindo a ausência de vigilância; e Castro Verde, hoje mesmo elevada à dignidade de “reserva da biosfera da humanidade” pela especificidade da sua paisagem.

Neste último caso vale a pena chamar a atenção para o trabalho patrimonial que tem vindo a ser feito  (eu tenho vindo a acompanhar este caso desde 2006), e será essa a razão que hoje permitiu atingir este ponto. E repara-se, que a lauda vem pelo lado das questões ambientais, e não das questões patrimoniais, cuja compreensão está no cerne de foz Côa.

Ambos os casos consomem milhões. Em Foz Côa nunca chegarão, pois como diz Pedro Cardoso Pereira, esse é um projeto feito de fora da comunidade.

Em Castro Verde, também se terá gasto muitos milhares. Todavia, neste caso, a percepção do benefício que a comunidade está a ter com o trabalho patrimonial, inverte a perceção do gasto, que em vez de consumo desperdiçado se fale de “investimento”. é feito com a comunidade e para a comunidade. Há também muitos turistas, até mias do que em foz Côa, que lá vão em várias alturas do ano.

Chegados a este ponto, entre custo e benefício, coisa que os economistas gostam de fazer sem incluir as externalidades, desconfio não nos resta outro adjetvo se não classficar Foz Côa como  um “elefante branco”.

Vejamos  “se o património é um instrumento de desenvolvimento, onde está o tal desenvolvimento em Foz Côa, feito a partir das gravuras?”. Onde estão os milhões de turistas  que vão estimular a economia local?

E necessário não esquecer que o parque foi uma alternativa duma barragem. Pouco importa hoje que os lugares onde foram construídas barragens sejam também ele lugares em recessão, demográfica e económica. A questão que se coloca nesta caso é mesmo saber se como a cultura gera desenvolvimento.

A resolução do problema é até bastante simples. Chama-se o método democrático. Reúnem-se as pessoas e debate-se o que se quer fazer com aquilo até encontrar um compromisso. (note-se que não escrevi consenso). E depois constrói-se a partir daí.

A grande incógnita desta equação é saber quem é que sabe construir o compromisso. Durante estes anos todos sabemos quem foram e sabemos que não souberam fazer o que era necessário ser feito.

A menos que todos os habitantes de Foz Côa sejam incorporados na polícia local, não há vigilância nem proteção suficientemente eficaz. A segurança, como todos sabemos está na nossa vigilância do que é nosso. O património só será nosso se deles nos apropriarmos como algo que no é comum.

Não me admirava que se surgissem “colegas” a defender a construção de bunkers de betão, com acesso reservado, ou gaiolas em aço, ou mesmo placas de fibra de vidro ou plicula aderente.

As figuras só poderão estar protegidas se nós, como sociedade, nos apropriarmos delas.

Com em tempo de disse, as figuras não sabem nadar ! Iô!

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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