Redes de Museus e núcleos de museus

Quando olhamos para o panorama museológico português, e ao seu contributo para a museologia, podemos encontrar aquilo a que temos vindo a nomear como a questão dos “núcleos”.

Museus polinucleados, núcleos de museus, pólos museológicos  foram expressões que nos anos oitenta acompanharam a renovação da museologia, sobretudo a partir da experiência do ecomuseu do Seixal. Nos anos noventa, um programa de valorização territorial do Vale do Tejo, levou esta experiência a vários concelhos. Por via dos trabalhos de alguns dos nossos museólogos, a ideia dos museus polinucleados (vocábulo que chega à museologia por via da arquitetura e do planeamento territorial) foi-se disseminando pelos concelhos do sul (Alentejo e Algarve) e através de algumas experiências de musealização de sítios da chamada arqueologia industrial, por vezes em diálogo com as propostas dos ecomuseus.

Confesso que conheço mal as realidades museológicas a norte do Mondego, mão reconheço que ainda hoje é possível detetar nas ideias das rotas e percursos turísticos esta ideia de núcleos patrimoniais visitáveis, unidos por uma unidade (territorial ou temática (megalitismo, Ronânci do Vale do Sousa, Vinho do Dão, Douro, Património Azulejar, etc.), contributos desta visão da organização museológica e do seu diálogo com a valorização do património, uma vezes por mão da DGPC, outras por via dos municípios.

A Lei dos Museus (lei 47/2004) acabou por incorporar esta inovação nacional, na sua proposta sobre a Rede Portuguesa de Museus e a possibilidade dos museus nacionais criarem “núcleos de apoio a museus”(artigo 107).

Entre as muitas e variadas questões que a atualidade desta lei levante para os museus portugueses, a questão do “núcleos dos museus”, figura organizacional que tanto quanto sai nunca funcionou nos museus nacionais, vai sendo apresentada como uma alternativa à questão da descentralização ou da desconcentração administrativa, discussão que certamente aquecerá o tempo estival que se aproxima.

Trata-se duma questão de agenda para a cultura dir-se-á ?

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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