A Formação em museologia: o caso da UFBA – Bahia-BR

Foi agora publicado o número de Maio dos Cadernos de Sociomuseologia, nº 53 (2017), dedicado ao programa de formação em museologia na Universidade Federal da Bahia, que desde 2008 se desenvolve em colaboração com a Universidade Lusófona de Lisboa.

Nele se escreve no "Editorial, por Mário Moutinho e Judite Santos Primo.
Este número dos Cadernos de Sociomuseologia é fruto de
uma longa colaboração entre docentes do campo da Museologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e  da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT). Esta colaboração foi iniciada em 1993 aquando da realização do III Seminário de Integração – Curso e Museologia e Museus da Cidade de Salvador, organizado
pelo Departamento de Museologia da UFBA. Desde então, os Cadernos de Sociomuseologia publicaram por várias vezes contribuições de docentes do Departamento de Museologia da UFBA em particular das Professores Maria Célia Moura Santos, Rosana do Nascimentos, Maria das Graças Teixeira e do Professor Marcelo Cunha. A nossa colaboração institucional foi consolidada pela assinatura de um Protocolo de Cooperação entre as duas
Universidades em 2008.
Recentemente, essa longa colaboração, nos encaminhou
para a realização conjunta do II Curso de Estudos Aprofundados em Museologia (IICEAM), com o envolvimento de vários docentes da ULHT, da UFBA e de outras universidades brasileiras (USP, UFRJ e
UNIRIO), além do apoio do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) e da Diretoria de Museus do Estado da Bahia (Dimus/ IPAC/ SECULT). Tratou-se, então, de um programa de nível Pósgraduado, com as exigências semelhantes àquelas exigidas na parte curricular de um Curso Doutoramento. 
Em ambos os países o ensino superior na área da
museologia tem evoluído de forma diferente e desequilibrada e por isso, ainda está longe de responder às reais necessidades da qualificação dos recursos humanos das instituições museológicas,
da investigação e do ensino em Museologia. Basta lembrar que no Brasil, fruto de uma política pública esclarecida do Ministério Gilberto Gil , existem atualmente mais de uma dezena de cursos de
graduação, ao passo que apenas funcionam cinco programas de mestrado - USP, UFBA, UNIRIO, UFPI e UFRGS – e um doutoramento na UNIRIO, o que é manifestamente insuficiente tendo em conta,
mais não seja, a dimensão do País. 
Por seu lado em Portugal não existe formação ao nível da graduação, mas dez programas de mestrado dos quais quatro estão descontinuados e três de doutorado dos quais um está descontinuado.
Estas realidades que exigem encaminhamentos assertivos, devem preocupar as universidades dos dois países e justificam uma, cada vez maior, colaboração entre docentes, discentes e investigadores.
A diversidade dos projetos e modelos que configuram a
formação superior, especifica em língua portuguesa na área da Museologia, completam-se em nosso entender e por isso são uma fonte de enriquecimento mútuo que importa acarinhar
permanentemente.
Pelo nosso lado, sempre reconhecemos e aqui confirmamos, o quão essencial tem sido para o nosso
Departamento estas múltiplas parcerias entre os dois lados do Oceano Atlântico com o envolvimento e a presença de docentes e discentes do Brasil que contribuem com o seu conhecimento, tanto quanto com a sua criatividade, para o projeto educativo da ULHT.
O presente número da Revista Cadernos de Sociomuseologia, renue um significativo conjunto de artigos de docentes e do Mestrado, que testemunham o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Museologia da UFBA. Um texto introdutório fornece o enquadramento institucional e conceitual necessário para uma melhor compreensão dos caminhos, orientações, projetos e contributos da UFBA para uma Museologia que ganha cada vez mais sentido, quando entendida como parte das Ciências Sociais.
Para nós, este número da Revista Cadernos de
Sociomuselogia é, certamente, motivo de satisfação pela confiança depositada, tanto quanto manifestação da vontade mútua de prosseguir esta longa colaboração que continua a ter todo o sentido, porque tem por objetivo servir e inspirar uma museologia  multifacetada no Brasil e em Portugal, a qual visa em ultima instância servir à inclusão social, à justiça cognitiva, à partilha afetuosa e todas as igualdades essenciais em favor da dignidade humana.
Lisboa, maio de 2017."
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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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