Turismo Criativo e Museologia Nómada III

A propósito das questões do turismo criativo e da sua relação com as cidades, defendemos ontem que se estava a verificar uma transformação do conceito turismo cultural nesta nova forma de identificar de turismo cultura.

Do ponto de vista da análise do real, não vale muito a pena discutir o que é uma dada coisa, mas vale mais a pena pensar no que está sendo. Como todos temos ocasião de verificar, tudo o que era dado como estável à bem pouco tempo, hoje é questionado.

O que era visto como um museu, ainda há poucos anos, está hoje a ser questionado, por diferentes formas. O uso do espaço das cidades e a função que neles têm os museus, está a ser questionado por via desta Turismo Criativo.

Tomemos por exemplo o trabalho que aqui citamos, a tese de doutoramento de Alexandra Gonçalves. “A cultura material, a musealização e o turismo”, apresentada na Universidade de Évora em 2012.  Com as suas 700 páginas constitui uma tentativa de capturar uma dada dinâmica (dos processos museológicos e os processos turísticos). Utiliza para isso uma dada ferramenta de análise.

Essa ferramenta, permite-lhe por exemplo entender, que o chamado turismo cultural se estava a  transmutar  num dado turismo criativo (pagina 123). Mas na sua análise dos processos museológicos, através duma ferramenta muito conservadora (porque muito agarrada a uma conceção estática de museu como equipamento) ao invés de pensar no processo, acaba por nos conduzir a um impasse que é o de saber se, partindo da sua proposta de ouvir os visitantes, as ações museológicas se devem centrar nos turistas ou nas comunidades locais.

A questão levar-nos ia a pensar quais são as funções do museus nas sociedades contemporâneas. Uma questão que foi levantada pela Nova Recomendação da UNESCO sobre museus, aprovada em 2015.

Curiosamente um texto de Fernando João Moreira, O Turismo e os Museus nas Estratégias e nas Práticas de Desenvolvimento Territorial . (2008) já resolve esta questão, a partir dum estudo de caso em Portimão.

 

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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