Que Museus para o século XXI?

Com base na questão “como definir os museus no século XXI” o ICOFOM, o comité do ICOM para a Teoria Museológica

Em março deste ano o ICOFOM lançou o desafio de se apresentarem propostas para discutir e propor uma atualização sobre a definição do que é um Museus.

E atual definição de Museu, usada desde 2007 pelo ICOM é recorde-se: “o museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, estuda, expõe e transmite o patrimônio material e imaterial da humanidade e do seu meio, com fins de estudo, educação e deleite” .

Essa mesma definição é usada na Nova Recomendação da Unesco sobre Proteção e Promoção dos Museus, Coleções da sua diversidade e Função Social, que a nossa Direção Geral do Património Cultural, apesar de signatária,  continua a não disponibilizar no seu site.  Trata-se naturalmente duma questão complexa, que exige elevados recursos, que será feita logo que possível.

Vem isto a propósito da próxima discussão sobre a nossa Rede Portuguesa de Museus, desaparecida, ou minguada desde 2012, que agora se procura reativar.

Sem dúvida que é de saudar estas preocupações. Esperemos que agora seja possível reativar uma verdadeira rede portuguesa, incluindo as novas formas de “museus” que hoje estão presentes nas nossas cidades.

Apenas para dar uma ideia do que se está a passar no mundo dos museus, e parque que não se desperdicem novamente tempo e recursos públicos vale a pena acompanhar:

  1. Nos próximos dias 9 a 11 de junho em Paris, na Sourbonne o seminário do ICOFOM – Definir o Museu no século XXI
  2. Entre 25 e 29 de setembro, em Havana, o 40º simpósio anual do ICOFOM “Política e Poética da Museologia”
  3. Finalmente, a 25 de novembro a conferencia do Eulac “defenir museus para o século XXI, a realizar na Universidade de Sant Andrew, na Escócia

ainda se vai a tempo de participar para quem estiver interessado

A questão que vale a pena acentuar nesta  discussão sobre o que é um museus, não é tanto pensar sobre que contornos deve ter ou não ter um museus (recorde-se que é isso que leva a que na exuberante legislação portuguesa, a burocracia decida sobre quem é ou quem não é museu, quem pode ou não pode aceder à rede, quem beneficia ou não das probendas públicas, etc…), ao invés de pensar como é que os processos museológicos contribuem para o desenvolvimento da sociedade. E para isso precisamos de museólogos mediadores, capazes de identificar as dinâmicas da sociedade em que se inserem e de apresentarem propostas inovadoras.

O risco que enfrentamos é que os museus portugueses fiquem cristalizados no século XIX.

Felizmente que a realidade acaba por se impor!

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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