O que ficou por dizer no Dia Internacional dos Museus IV

Escrevemos  no último postal sobre a exposição “Racismo e Cidadania” integrada nos eventos da Capital Ibero-americana de Cultura: passado e presente”. 

Comissariada pelo insuspeito Francisco Bethencourt, abriu ao público no passdo dia 6 de maio no padrão dos Descobrimentos. Entretanto, durante esta semana foi anunciado o debate sobre este tema “racismo e cidadania” no São Luís, em Lisboa.

Como curiosidade, sobre a organização do debate, logo que foi conhecido, fera notória a ausência, entre dos “convidados”, das associações que têm denunciado a questão do racismo em Portugal e das associações ligadas à migração. Foi uma questão que ao longo da semana fui acompanhando, dando conta que sucessivamente a lista dos oradores foi sendo retificada com sucessivos acrescentos. Ainda bem que a razão acabou por imperar.

Curioso sobre a exposição, acabei por ter acesso ao portal sítio que ficou disponibilizado para divulgar a exposição. Tenho vindo a acompanhar alguns trabalhos do historiador, pelo que a abordagem do tema não é invulgar. Poderá talvez alguma estranheza do  tema ao procurar apresentar questão do racismo nos séculos XVI e XVII (cidadania será certamente um conceito que emerge no século XVIII, no contexto da Revolução Francesa). Mas essa anterioridade é precisamente a tese que o curador procura fundamentar. “A de que a exclusão do outro é um tema presente na sua representação desde sempre”.

Ainda com alguma curiosidade verifiquei que a maioria das imagens, sobre africanos, são as usadas por Isabel de Castro Henrique no seu livro “A Herança Africana em Portugal”. Assim com estranhei as ausência aos trabalhos de Alfredo Margarido, que denunciou a os processos da construção da imagem do outro no pensamento colonial.  Do King College é talvez distante da Biblioteca Nacional, onde o espólio deste nosso intelectual foi depositado vai já para meia dúzia de anos.

Curiosamente ainda verifiquei nesta exposição a referencia aos Cigni. Um povo nómada, migrante, que habita nas nossas vizinhanças em bairros sociais, cuja chegada está documentada no século XV. Uma memória excluída nos museus portugueses. Disposto a esclarecer a questão fui até Belém. Bati com o nariz na porta. Estava fechada até 29  para beneficiações na acessibilidade. (???)

Acabei por não ir ao Debate no São Luís. Não consegui viajar entre a Graça e o Chiado. A conhecida carreira 28 é hoje apenas acessível aos turistas. Não deixa de ser curioso a exclusão dos cidadãos lisboetas nesta sua cidade gentrificada. Para a próxima vou de tuc-tuc ou chamo um uber.

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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