Cultura e Dignidade Humana CXIX – Decisão de Gestão sobre negócios criativos

Rendimento e Decisão de negócio

As duas formas diferentes de pensar no negócio implicam métodos diferentes de trabalhar. Mas no final, o negócio implica uma decisão sobre dinheiro. A economia criativa pode desenvolver-se no campo da economia solidária. Pode desenvolver mutualidades e cooperativas. Pode envolver-se em trocas de serviços, em economias comunitárias. Este é um campo mergente que noutro lugar desenvolveremos.

Para finalizer esta abordagem, olhamos para o negócio criativo como uma alternativa de criação de emprego numa economia tradicional. Isso significa, que o negócio tem que gerar um determinado rendimento para assegurar a sua viabilidade e a sobrevivência do profissional. Um profissional numa econimia cde mercado tem que gerar rendimento e satisfazer um conjunto de requesitos legais. Sem isso a atividade criativa não pode subsistir sem ajudas ou subsídios externos à atividade.

A economia criativa é vista como sendo um campo professional de artistas, e em regra os artistas são pessoas com baixo rendimento no seu trabalho. Não será uma verdade universal, mas a na maioria dos caos, quem trabalha na economia criativa são pequenas empresas e pequenso empresários, com rendimento abaixo da média geral.

A questão poderá ser colocada em termos de representação social ou estatuto social dos artistas e das pessoas de cultura. Muitas vezes a explicação que surge é que são pobres mas a cultura é mais importante. É uma fraca explicação.

Muitas vezes as atividades artísticas implicam uma elevada dedicação ao trabalho. Elas são intensivas em termos de tempo. E sendo o tempo um custo muito elevado, há uma discrepância entre o tempo envolvido na atividade criativa e a sua remuneração. Por exemplo, um produto de arte performativa, consumida num evento, transporta consigo um passivo bastante elevado, que um espectador, numa situação de lazer pode não se aperceber completamento. Há também aqui um elemento de explicação entre a diferença de perceção entre o esforço feito para executar a remuneração recebida pelo trabalho.

Há neste Mercado da economia criativa e das indústrias criativas a possibilidade de aceder a subsídios ou acesso afinanciamneto por parte do estado. Seja através de concursos ou candidaturas, seja através da participação em eventos patricionados por entidades públicas ou empresas. Normalente o que sucede com as políticas de subsídios às artes é que não gera um melhor rendimento, mas sim mais artistas que procuram aceder a esses subsídios.

Isto é um tema controverso nas políticas culturais públicas, na medida em que a cultura é muitas vezes vista como uma atividade que necessita de se financiada, ao mesmo tempo que esta visão de mercado revela que essa relação nem sempre é verdadeira, ou pelo menos direta. Mas isso será tratado mais tarde.

O que interessa aqui realçar é que muitas vezes os trabalhadores das artes e do espetáculo são muito dependentes de diferentes fontes de rendimento, exigindo muitas vezes o desenvolvimento de atividades diferenciadas, nem sempre todas eleas criativas. Muitas vezes regista-se mesmo uma situação em que um criativo realiza uma atividade remunerada fora do setor, para poder ter disponibilidade de investir algum desse dinheiro nas suas atividades criativas.

Por fim uma última questão. Muitas vezes o artista é visto como um criador que atua sozinho. Alguém que depende do seu esforço individual e da sua generalidade. Numa sociedade como a atual, onde o rendimento individual é relevante como medida de sucesso, é frequente ser esquecido que estas atividade muitas vezes têm sucesso porque são colaborativas. Curiosamente não há uma grande facilidade em reunir o pessoal das artes em atividades associativas de carater profissional.

 

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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