Cultura e Dignidade Humana CIX – Produtos Criativos

É claro que esses atores e atividades são muito diferentes entre si e não oferecem serviços a todos estes eventos. Muitas destas atividades deferem entre si. Por exemplo as artividades artísticas podem variar muito em dimensão. Um grupo de teatro, por exemplo pode atuar em conjunto, mas os seus membros, individualmente, podem oferecer produtos individuais. Por exemplo, aulas de voz, de dicção, etc. Ou noutro exemplo. Os músicos atuam muitas vezes sozinhos, gravando inclusive os seus discos em autio-gravação, recorrendo a outros músicos, para espetáculos ou gravações, outros músicos que são também eles outras pequenas empresas. O setor, as suas empresas e o seu trabalho é fluído e multidimensional. As empresas criativas não tem como objetivo o crescimento em si. Não querem ter 10 colaboradores no próximo ano, ou aumentar a sua quota de mercado. Quer continuar a fazer a sua atividade, como gosta, no tempo que gosta, de preferência ganhando o suficiente para prover a sua vida e dos seus. É uma prespetiva diferente de ser empresário.

Também se olharmos para as características dos produtos criativos e culturais são diferentes. Por um lado são todos muito diferentes. O que os caracteriza não é o padrão, mas a diferença.

Mas por outro lado, sendo únicos, também são abundantes na sua singularidade. Exige que o mercado tenha conhecimento, escolha e para isso depende da informação.

Será virtualmente impossível num único fim de semana ir a todos os teatros ou galerias duma cidade. Visitar todos os museus ou ir a todos os concertos. Tal como é impossível ler todos os livros duma biblioteca ou duma livraria. Os produtos culturais e criativos são abundantes e também acontecem dum tempo limitado. Muitas vezes é necessário consumir o produto no lugar onde ele é produzido. Isso exige um ajustamento às escolhas dos consumidores e dos produtores.

Toda esta forte dinâmica do setor, que implica a impossibilidade do consumo total dum produto, torna este setor hipercompetitivo. A economia criativa vive num ambiente fluido e muito competitivo. Por exemplo, se for um designer, é necessário saber que há no mercado uma imensidão de disigners que estão também a competir no mesmo mercado. É então muito difícil saber quando e como é possível ter sucesso. Um produto pode ser bom, único, e não conseguir chegar ao mercado. Por outro lado, uma casualidade pode colocar o produto oferecido como uma moda e não se ter mãos a medir para satisfazer a oferta.

É uma atividade imprevisível, e difícil de planear. Mesmo que já está no Mercado à muito tempo, já com trabalhos com sucesso, também não sabe se o novo produto que está a oferecer, terá sucesso. A previsão é muito, muito difícil. Daí que muitas vezes, a promoção do produto seja um fator crítico.

 

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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