Cultura e Dignidade Humana – LXX – Não prejudicar: a emergência do novo humanitarismo

a emergência do novo humanitarismo

A million and a half Rwandans, nearly 20% of the country’s entire population trying desperately to survive one more day in this relentlessly inhospitable corner of Zaire. It is not like the famine in Somalia. It is not like the plight of the Iraqi Kurds into the mountains of Iran and Turkey. It is not like the siege of Sarajevo and the plight of Bosnians displaced by that war. It is not like anything I’ve ever seen in 30 years as a reporter. It is, I think the standard against which all future tragedies will be measured. For all up and down this road, this road that leads north from the border there is madness and horror, beyond telling, beyond belief.”

As tragédias humanitárias tem vindo a aumentar e a transformar-se nos últimos 30 anos. Há uma longa história de ações humanitárias, mas recentemente alguns acontecimentos tem vindo a alterar a forma como olhamos para as questões humanitárias. O momento mercante dessa transformação emerge na tragédia do Ruanda nos anos 90. Foi aí que ficou claro que a ajuda humanitária tem que pensar nas implicações das usas ações, para além das intensões.

A acção humanitária no Ruanda sublinhou um conjunto de questões. Para alguns atores humanitários, a sua intervenção era vista como apenas “ajuda”. Era necessário levar ajuda a quem necessitava. Mas ne verdade o que estava a acontecer era que aqueles que eram ajudados, alimentados e vestidos, regressavam depois para matar e cometer as mesmas atrocidades que tinham sido vítimas. E isso levantou a questão de saber se a juda tem que ser dada a todos ou deverá ser selecionados os grupos de vítimas. Isso levou alguns atores a retiraem-se durante algum tempo para ver o que se passava redesenhar as suas intervenções e falar sobre as suas opiniões sobre a ajuda humanitária.

Isso é uma coisa que é suposto os atores humanitários não fazerem. Os atores humaniotárias é suposto não serem politicos, serem impaciais, neutrais em relação aos conflitos. Isso é uma das razões das transformações a que assistimos.

Uma segunda tragédia que altera o modo como se olha a ajuda humanitária é o Kosovo. E aqui ficou muito clara a ligação entre ajuda humanitária e as intefvenções militares. Há uma espécia de humanitarismo incendiário. Humanitarismo e bombardamentos são duas coisas completamente distintas e antagónicas. Não se bombardeia um povo em nome dos princípios humanitárias. No entanto foi isso que aconteceu no Kosovo. As colunas humanitárias eram acompanhadas por militares, que borbadeavam aqueles que procurvam evitar a entrega da ajuda humanitária, para que essa ajuda humanitária acontecesse.

Desde essa altura, ajuda humanitária e forças militares actuam cada vez mais em conjunto. Em todos os conflitos atuais, a Ajuda Humanitária á feita através da força military. E isto para não falar da questão que muitas intervenções militares são feitas com base no princípio humanitária. A linguagem é a mesma, embora o resultado sejam diferente.

Tudo isto leva-nos a interrogar os princípios do humanitarismo. A ideia de que a ajuda Humanitária é neutral, imparcial, em certos contextos é uma questão problemática. Intervir para fazer o bem, ou ner ingénue e não fazer nada são questões complexas para os atores politicos.

Tudo isto leva à conclusão de que na Ajuda Humanitária há tembém uma questão política. É necessário entender-la e pensa-la. E essa é uma das alterações no s sitemas de Ajuda Humanitária. Agora é frequente vermos os atores humanitários a descrever o que viram. E isso leva a que essas atores sejam mal visto em certas áreas do mundo e em certos conflitos. Issa também leva a que esses atores sejam, em alguns conflitos, alvos do conflito.

Cada vez vemos com maior frequência a acusação de que certos atos de Guerra, feitos contra lugares e atores da ajuda humanitária. Por exemplos bombardeamentos de hospitais, escolas, ou áreas civis de não combatentes.

Ou seja esta alteração das questões humanitrias afeta a problemática de forma relevante. Hije temos não só mais lugares onde a Ajuda Humanitára se desenvolve, como temos também uma crescent controvérsia sobre a natureza dessa ajuda.

No mundo de hoje a ajuda Humanotária faz parte da política, é usada como instrument military. É uma importante transformaçºao da ajuda Humanitária no mundo atual.

Mas não é apenas essa a mudança. Quando se pensa em Ajuda Humanitária, pensamo em ações de curta duração. Apenas no tempo suficiente para resolver a questão da emergência. Aliviar o sofrimento, salvar vidas em perigo, mover pessoas para for a das zonas de perigo e providenciar abrigo e aliementação, e esperar que o conflito se resolva entre as forças militares. E isso todos compreendemos. É aessencia do humanitarismo. Mas no mundo de hoje não é isso que está a acontecer. Por causa da crise, cada vez é menor o número de verbas dispendidas e cada vez é menor o númenro de países dadores.

Ha atualmente um pequeno mas estável número de países que defende que a ajuda humanitária “não deve perjudicar”: (do no harm) e devem produzir desenvolvimento. Então a ideia é que se deve pensar a médio, longo prazo para cuidar e produzir desenvolvimento.

A ideia é pensar que a curto prazo a ajuda humanitária pode provocar situações prejudiciais. A ajuda Humanitária deve pensar nas consequencia dessa ajuda a longo prazo. Quem recebe a ajuda, o que recebe, como recebe e quem dá.

O caso de tremor de terra no Haiti, com a questão da distribuição alimentar a mulheres e a prevenção da violência por mulheres, leva á interrogação sobre o papel dos homens. Se um homem não tiver acesso a comida pelas mulheres terá possibilidade de se alimenter? Será que não estamos a prejudicar os homens. Talvez não fisicamente, mas psicológicamente, sobre pessoas que já estão em sofrimento.

São questões que levam a interrogar o que é hoje o humanitarismo, o que alcança e para que realmente serve ?

Anúncios

Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
Esse post foi publicado em Actualités / News, Lectures / Readings e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s