Cultura e Dignidade Humana LXV – Género e Experiência de Calamidades

Género e experiências de Calamidades

Os Desastres ou Calamidades são campos interessantes de pesquisa, pois é uma área pouco estudada e com poucos trabalhos académicos. Muito menos há trabalhos sobre Género e Calamidades. Uma das coisas que se sabe sobre as calamidades é que, frequentemente, as pessoas morrem mas sabemos muito pouco sobre quem são e em que condições padeceram. Frequentemente, nas calamidades apenas se contabiliza o seu número, e pouco se sabe sobre questões básicas como género ou idade. Frequentemente fazem-se algumas considerações sobre isso, mas não estudos empíricos

Por exemplo, algumas pessaos dizem que as mulheres são mais vulneráveis em situações de calamidade, o que conduz a ideia desta categoria como grupo vulnerável. Outros estudos, que analisam dados numa escala macro relacionam a mortalidade com os níveis de desenvolvimento socio-económico. Por exemplo, em paíse de baixa renda, com uma elevada taxa de mortalidade de populações mais novas, leva a conclusões de que as mulheres são mais vulneráveis. Não as mulheres em sí, mas as mulheres em situação de pobreza. Questões que podem relacionar, de forma errónea a mortalidade e a calamidade.

Os argumentos da biologia e da cultura também podem ser falaciosos. Por exemplo, as mulheres com cabelos longos tem mais dificuldade em nadar, ou os vestidos dificultam a mobilidade, tornando mais lenta a fuga face a tsunamis.

Nestas questões há que entendar as raízes dos problemas. Por exemplo, em situações de cheia, os homens pobres podem ficar a guardar as casas e com isso ficar mais vulneráveis. Assim, ao desempenharem o seu papel social podem morrer. Ou ficar no local de trabalho, com receio de perder o emprego. As construções sociais por vezes dificultam o entendimento dos problemas. Isso verificou-se durante o furacão Katrina, em New Orleans, onde os homens ficaram nas suas casas a proteger a propriedade.

Isso leva-nos á consideração da ideia dos comportamentos de risco que podem ser generalizados. Se os homens assumem mais riscos, serão também eles os mais afetados durante os eventos. No entanto, é ideia comum de que as mulheres e crianças são mais vulneráveis. Então, se as mulheres são mais vulneráveis, após a calamidade, a maioria dos recursos disponibilizados será atribuído às mulheres. Mas o que se faz é não é isso. Da mesma forma de que deveremos pensar, na fase de proteção, que quem será mais afetado para canalizar os recursos de prevenção. Quem o faz são normalmente os homens. A prevenção é vista como uma função técnica. Por isso os homens assumem mais facilmente esse papel, correndo-se com isso o risco de desfocar os grupos alvos essenciais na proteção e socorro.

A construção da ideia da mulher como potencial vitima poderá conduzir a uma focagem na mulheres. E isso tem alguma lógica, mas é necessário analisar com cuidados as raízes do que é a estrutura loval, os potenciais riscos e a formação social.

A calamidade pode também ser vista como uma oportunidade de reconstruir. Infraestruturas, casas. E isso pode ser feito e poderá até resultado numa melhoria global. Contudo, pouco se fala na estrutura social. Na destruição de relações e sociabilidade, de vizinhança. Em situações de calamidade á uma mudança social. Algumas questões podem torna-se mais visíveis. Por exemplo a violência contra as mulheres. Há inúmeros fatores que podem fazer com que a violência se torne mais visível.

As questões sobre calamidade são também oportunidades de mudança social Essa é uma questão que está a ser discutida em cenário de calamidade. A possibilidade de aproveitar a calamidade para melhorar. Será possível produzir uma boa mudança.

São questões que estão em aberto. O que não deixa de ser importnte é reconhecer que em situação da calamidade, as experiencia dos géneros são também diferentes. Entre homens e mulheres, e entre os diferentes grupos sociais.

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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