Amazónicas XX – Poemas com alma de Garcia Lorca

Já num outro postal falamos de Garcia Lorca e do seu Romancero Gitano, escrito entre 1924 e 1927. No XIV andanças e na oficina dos contos Afro-cubanos fomos surpreendidos pela informação de que Garcia Lorca havia visitado Cuba . Trata-se duma questão mal conhecida na biografia do poeta, para onde viajou em 1929 e 1930. Este poema estará inserido na coletânea postuma “Poemas de Nova York”, publicada em 1942.

Da página da Casa Museu Garcia Lorca Horta de são Vicente, conseguimos entender que lá de encotra com Lydia Cabrera, que havia conhecido em Madrid, e com a qual assisitiu a uma cerimónia “ñáñiga” ou “santeria”. Será a partir dessa visão que poderemos reconstituir os Poemas cubanos de Garcia Lorca, onde surge a questão da condição dos negros em cuba . Há pois uma relação entre a visão poética e o trabalho de resgate da memória afro de Lidya Cabrera.

Son negros en cuba

"Cuando llegue la luna llena

iré a Santiago de Cuba,

iré a Santiago,

en un coche de agua negra.

Iré a Santiago.

Cantarán los techos de palmera.

Iré a Santiago.

Cuando la palma quiere ser cigüefla,

iré a Santiago.

Y cuando quiere ser medusa el plátano,

iré a Santiago.

Iré a Santiago

con la rubia cabeza de Fonseca.

Iré a Santiago.

Y con la rosa de Romeo y Julieta

iré a Santiago.

¡Oh Cuba! ¡Oh ritmo de semillas secas!

Iré a Santiago.

¡Oh cintura caliente y gota de madera!

Iré a Santiago.

¡Arpa de troncos vivos, caimán, flor de tabaco!

Iré a Santiago.

Siempre he dicho que yo iría a Santiago

en un coche de agua negra.

Iré a Santiago.

Brisa y alcohol en las ruedas,

iré a Santiago.

Mi coral en la tiniebla,

iré a Santiago.

El mar ahogado en la arena,

iré a Santiago,

calor blanco, fruta muerta,

iré a Santiago.

¡Oh bovino frescor de calaveras!

¡Oh Cuba! ¡Oh curva de suspiro y barro!

Iré a Santiago.
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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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