Amazónicas XVII – Oratura afro cubana (a)

Oralidade nos contro negros de cuba com Corália Rodriguez

coraliarodriguezMais uma das oficinas do XIV Palavras Andarilhas, desta feita com Corália Rodriguez, atriz e narradora oral. Nasceu em Cuba, nas terras do interior de Havana, no lugar “onde o diabo gritou 3 vezes e ninguém o ouviu”. Herdeira da tradição oral e familiar. Estudou teatro e narração oral no seu pais e começou a contar na década de 80, guiada pelo prof: Francisco Garzon, no Grande Teatro de Havana, em Cuba inspirados nos trabalhos de Lydia Cabrera sobre os Contos Negros de Cuba[1]

Na Oficina: “Acercamiento a la tradición oral afrocubana”, realizada a 27 de agosto, Corália fala da pesquisa sobre as tradições religiosas afro-cubanas pesquisada pelo etnomusicólogo Fernando Ortiz[2], uma dos fundadores do movimento afrocubanismo, e por Lydia Cabrera. Este etnomusicólogo que aborda as questões da Santeria resgata as memória dos tambores e batidas presentes nos ritmos cubanos, atribuíndo-lhes as origens africanas.

“Pinta a tua aldeia e ele será universal” diz Corália Rodriguez, inspirada no trabalho sobre a narração oral e os tambores e batuques que acompanhavam a oratura na sua infância. Corália afrima que a oratura se forma como um elo de ligação entre a mãe e a criança. A corrente que passa no processo de aleitamento e na fala, canto ou histórias tradicionais, são modos de acesso à tradição e à memória duma comunidade

A narrativa oral afro-cubana, inspirada na mitologia unbuntu são forma de acesso à verdade. Na mitologia umbuntu, cada um tem uma verdade, e é a partir do dialogo que se acede á uma outra verdade. Há um contro tradicional cubano que fala dessa situação. Duas rainhas, que vivem de lados diferentes do rio, uma com abundância de água e outra com abundância de terra e sementes. Durante muito tempo uma das princesas visitava a outra, trocando a água que permitia criar comida. Um dia a que preparava a comida fartou-se de preparar a comida para a outra e zangaram-se, separando-se. Viveram separadas e com fome, até ao dia em que voltaram a reunir-se e a entender o sentido do contributo coletivo.

Em Cuba a narrativa oral foi muito forte nos inícios dos anos 30, com Lídia Cabrera que publica os seus contos negros em 1940. A inspiração negra estava então na moda nos círculos artístico e intelectuais: Por exemplo Garcia Lorca, nos seus poemas sobre Cuba, que visita nos anos vinte evidencia este fascínio.

Lydia Cabrera, como tinha sido amamentada por uma ama negra, teve uma maior facilidade em aproximar-se ao universo mítico da cultura afro-cubana

[1] Lydia Cabrera, (1899-1991) antropóloga cubana, nascida em Havana

[2]Fernando Ortiz Fernández (Havana, 16 de julho de 1881 – 10 de abril de 1969) foi um político, escritor e etnomusicólogo cubano. Estudioso da cultura afro-cubana, tornou-se ativo nacionalista em movimentos da renovação cívica de seu país, ajudando a criar o movimento Afrocubanismo. Fundou as revistas Revista Bimestre Cubana, Archivos del Folklore Cubano e Estudios Afrocubanos e escreveu os livros La Africania de la Musica Folklorica de Cuba (1950), e Los Instrumentos de la Musica afrocubana (1952 – 1955) e em 1955 foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz.

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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