Encontro da Primavera do ICOM.PT (VIII)

AC [46’00’’] O Pedro já falou um pouco mais sobre esta questão e eu queria avançar. Uma das orientações da Recomendação e precisamente facilitar o emprego e o desenvolvimento da carreira profissional dos museus. Olhando para a nossa realidade portuguesa, de que forma estas orientações poderiam ser mais desenvolvidas? A Clara quer dar algumas orientações sobre isto?

CF [46:25] –A Recomendação tem no seu ponto 4 talvez aquilo que constitui o aspeto mais operacional em termos dos vários países. É exatamente as orientações para as políticas gerais, para as políticas funcionais dos Estados Membros. É um conjunto de tópicos de apoio às funções museológicas, de parcerias para as comunidades, prioridade aos inventários, seguir as boas práticas e padrões do ICOM, políticas de emprego e formação profissional, garantias de financiamento, acesso às tecnologias, Função Social dos Museus, cooperação e parcerias. Entre estes vários aspetos e em relação com aquilo que a Ana perguntou, há um ponto que eu gostava até de ler um bocadinho da Recomendação, porque tem a ver com o posicionamento que os Estado e os respetivos governos devem ter de acordo com esta Recomendação face às atividades económicas. E diz assim: É no ponto 15 “Os Estados Membros não devem conferir prioridade elevada à geração de receita em detrimento das funções fundamentais dos museus. Os Estados Membros devem reconhecer que aquelas funções fundamentais (e estamo-nos a referir à Preservação, à Investigação, à Comunicação, e à Educação), por serem de extrema importância para a sociedade, não podem ser expressas em termos puramente financeiros.

Ora nós sabemos que é com questões desta natureza que muitos dos nossos colegas, diretores de Museus, se confrontam no seu dia-a-dia. E o facto de haver uma consciência, ter havido uma discussão e de ter havido uma colocação num texto orientador destas questões parece-me a mim muito relevante. Um outro aspeto é precisamente a questão da empregabilidade do pessoal dos museus. A Recomendação, para além de apontar no sentido de os museus deverem ter profissionais qualificados, recomenda também aos governos que sejam ativos na promoção dessa empregabilidade e da própria formação profissional. São os tópicos talvez mais impactantes, aqueles que podem agora ser assimilados e desdobrados e serem incorporados em futuros planos estratégicos das instituições, planos operacionais, planos de atividades ou o que quer que seja.

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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