Não-lugares de Marc Augé

AUGÉ, Marc (2012) [1992], Não-Lugares – introdução a uma antropologia da sobremodernidade, Lisboa, Editora Letra Livre.marcaugenaolugares

Editado pela primeira vez em 1992, Não-lugares, para uma introdução da antropologia da sobremodernidade  o autor introduz o conceito de  Não-lugares  para se referir a lugares transitórios que não possuem significado suficiente para serem definidos como “um lugar”. Por exemplo um quarto de hotel, um aeroporto, uma estação de comboio, o supermercado.
Trata-se da obra mais conhecida do autor e com profunda relevância na antropologia urbana e nas artes performativas e estudos do espaço (arquitetura e urbanismo).

Em Não-lugares o autor apresenta a sua ideia de que na pós-modernidade (segunda metade do século XX) , a ciência social se encontrava perante novas realidades espaciais que não podiam ser analisadas pela várias ferramentas (metodologias) disponíveis. em particular, a antroplologia, (e também a sociologia urbana) deveriam procurara novas categorias conceptuais para explicar a complexidade da vivência social no espaço urbano pós-moderno.

A Antropologia investigava sobretudo lugares delimitados ( onde o espaço era suporte da vida das comunidades) procurando entender as relações constitutivas (laços)  entre os seus membros. A relação fornecia uma identidade e os espaços eram lugares de representação dessa identidade. a partilha de significados entre os indivíduos concretizava-se em espaços concretos, excluindo os lugares de passagem, impuros e não identitários. Espaços que concentram, segundo Augé, três características. lugar de partilha, residencia, iteração. Estas são características, segundo Augé que forma a complexidade do espaço que é ser, simultaneamente  identitário, relacional e histórico.
As alterações nas áreas urbana ao ao longo do século XX  nas áreas urbanas criarama uma “sobremodernidade” (surmodernité) um excesso que altera a essencia das cidades e da vida dos cidadão. De espaço residenciais, de relação de vizinhança e de trabalho, ampliam-se a zonas de fronteira. Lugares que não eram lugares antropológicos, como portos, lugares de passagem. Estradas. espaços de transição, etc.

É essencialmente sobre esse excesso, sobre a superabundância do tempo, da efervescência dos acontecimentos, que a sobremodernidade se afirma. A ideia de que está tudo a acontecer em todo o lado, em todo o momento, e que Augé  propõe como objeto de analise do social. Por seu lado, o indivíduo é hoje o resultado dum “excesso2 de referencias, que lhe chegam pela vivência urbana, pela comunicação, que o leva, igualmente,  e reelaborar sucessivamente, todo o excesso de informação que lhe chega e experiências que usufrui.

Estas figuras de excesso estão intrinsecamente ligadas à produção de não-lugares, ou de espaços que não cumprem (em graus diversos) as características do lugar antropológico e, portanto, não são identitários, relacionais ou históricos. Contudo, os não-lugares,  aeroportos ou autoestradas, espaços de trânsito, idênticos em todos os lugares, remetem-nos para a relação com os lugares antropológicos, cruzando referencias. Os não lugares, não são lugares de experiência, embora remetam para a experiência dos lugares de experiência.

São espaços que facilitam a esquizofrenia da vivência do espaço, impossibilitando a emergência do singular pelo excesso de referencia.

 

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Sobre Pedro Pereira Leite

Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra onde desenvolve o projeto de investigação "Heranças Globais: a inclusão dos saberes das comunidades como instrumento de desenvolvimento integrado dos território".(2012-2107) . O projeto tem como objetivo observar a relevâncias no uso da memória social em quatro territórios ligados por processos sociais comuns. A investigação desenvolve-se em Portugal e Espanha, na zona da Fronteira; em Moçambique e no Brasil. (FCT:SHRH/BPD/76601/2011). É diretor de Casa Muss-amb-iki - espaço de Memórias. Intervém no âmbito de pesquisa de redes sociais de memoria.
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